"O Captain! my Captain!"

 

O clube dos poetas mortos (1989)

Não me recordo que idade tinha quando vi este filme pela primeira vez. Talvez quatorze anos. Não consegui perceber a dimensão trágica deste belíssimo filme, mas compreendi que havia ali uma mensagem que iria compreender um dia mais tarde.  Voltei várias vezes a este filme. Ainda não o compreendi totalmente. À primeira vista, o filme é apenas uma ode ao "carpe diem." Contudo, este filme é um verdadeiro hino à vida. À loucura de querer ser feliz. Há alguma ingenuidade no filme, várias utopias. Mas é preciso sonhar demasiado para conseguir uma pequena fração de magia. É preciso "sugar a vida até ao tutano." (Thoreau)

Os antepassados dos retratos olham-nos atentos e temos medo de os desiludir. Mas, talvez, eles fizessem tudo diferente.

O filme alerta-nos para a necessidade de irmos mais longe, de nos desviarmos dos lugares bem cartografados. 

A Poesia só pode ser transmitida assim: contra as regras.


O filme recupera brilhantemente o espírito livre e sonhador de Walt Whitman, sendo memorável a declamação de um excerto do poema "Oh Captain! my Captain!"

"Oh Capitão! Meu capitão! A nossa viagem medonha terminou;

O navio tem resistido a cada tortura, o prémio que perseguimos foi ganho;

O porto está próximo, ouço os sinos, o povo exulta,

Enquanto seguem com o olhar firme o barco raivoso e audaz..." 

Whitman dedicou este "cântico fúnebre" a Lincoln; o poema é uma homenagem, mas também um apelo. Viver a vida sem ceder ao medo, inspirados "pelo que ficou para trás" e dizermos a todos os conquistadores das pátrias inominadas: "Oh Captain! My captain!"




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