Inexistência
« ... And every fair from fair sometime declines...» Aqui, entre a luz e a sombra, o tempo torna-se quase um sacramento. Podemos escutar o pequeno relógio que pulsa no ventre dos pássaros, das árvores, da terra e das borboletas de março. A beleza de um livro de Sonetos de Shakespeare sobre o colo, compete com a magnificência desta manhã. De repente, parece-me que nunca a irá superar. As raízes salientes mostram-me como é preciso ser perseverante quando se quer permanecer. Como é preciso ter força e ser paciente. Não acrescento nada à perfeição. Até mesmo Shakespeare não passa de um homem que sonhou um pouco mais alto. Mas o vento lê avidamente os sonetos, muda a página de forma ritmada. Talvez precise saber como superam os homens o «devir da inexistência.» É triste saber que estas manhãs não são minhas para sempre. E que, provavelmente, não recordarei até ao fim o soneto XVIII. "Shall I compare thee to a summer’s day? Thou...









